A Polícia Federal deflagrou a Operação Arena, mirando um grupo suspeito de usar empresas no exterior para lavar dinheiro e ocultar recursos originados de apostas esportivas. Entre os alvos está o advogado Nelson Wilians, fundador de um dos maiores escritórios de advocacia do país.
A ação cumpre 17 mandados de busca e apreensão na Paraíba, em São Paulo, em Sergipe, no Rio de Janeiro e no Paraná. A Justiça também autorizou quebra de sigilo bancário e telemático dos investigados, além do sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores.
Segundo a investigação, Wilians é suspeito de lavar dinheiro por meio de um esquema envolvendo empresas ligadas à Pixbet. A PF apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
De acordo com as apurações, o esquema funcionava assim: o dinheiro das apostas era remetido ao exterior via empresas de compensação financeira e recebido por uma empresa de fachada em Curaçao. Para retornar ao Brasil, os valores eram disfarçados como pagamentos por serviços prestados, com notas fiscais emitidas pela empresa no paraíso fiscal — um mecanismo que, segundo a investigação, tinha como objetivo dar aparência de legalidade aos recursos antes de repassá-los a empresas e pessoas físicas no país.
Essa foi a segunda vez em menos de um mês que Wilians se tornou alvo de uma operação: antes, seu escritório já havia sido investigado por suposta participação em fraudes fiscais de R$ 3,8 bilhões na Secretaria da Fazenda de São Paulo. Em 2025, ele também havia sido alvo da PF em desdobramento das investigações sobre fraudes no INSS.

