Uma fala antiga de Luiz Inácio Lula da Silva reapareceu recentemente nas redes sociais, chamando atenção pela maneira como foi recortada e compartilhada. A declaração original ocorreu em 28 de junho de 2017, durante um discurso em que o petista criticava prisões baseadas exclusivamente em delações premiadas — momento em que afirmou: “Se isso continuar, nenhum de nós escapa”.
O contexto era um evento em comemoração aos 25 anos da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT. Ao comentar as investigações conduzidas pela Operação Lava Jato, Lula disse defender a prisão de quem tivesse cometido roubo, mas ponderou que todo acusado deveria ter direito à ampla defesa e a um julgamento justo (Lupa).
Segundo o relato, ele afirmou primeiro que gostaria de ver presa qualquer pessoa que tivesse roubado, para em seguida defender que ninguém fosse encarcerado apenas com base em uma delação premiada, sem outras provas que sustentassem a acusação. Foi nesse momento que completou: “Porque, se isso continuar, nenhum de nós escapa” .
Essa parte específica da fala passou a ser interpretada por opositores políticos como um possível deslize do petista, sendo compartilhada de forma isolada e fora do contexto original. No entanto, a análise da declaração completa mostra que Lula não fazia qualquer tipo de confissão sobre participação em crimes — pelo contrário, buscava argumentar que qualquer cidadão poderia ser injustamente acusado a partir de uma delação sem lastro probatório.
Mesmo diante desse contexto mais amplo, a escolha das palavras utilizadas por Lula segue gerando repercussão e volta com frequência ao debate político, sobretudo pela expressão “nenhum de nós escapa”, usada por ele naquela ocasião para criticar o funcionamento das delações premiadas no país.

