João Carlos Mansur, ex-proprietário da Reag Investimentos, protocolou junto à Procuradoria-Geral da República uma proposta de delação premiada tendo como alvo principal Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O acordo ainda está em fase de ajustes finais, antes de eventual assinatura e posterior homologação pelo Supremo Tribunal Federal.
Ao todo, Mansur apresentou 17 anexos contendo documentos e informações relacionados a suspeitas de crimes financeiros. Como parte da negociação, ele deverá arcar com cerca de R$ 40 milhões em multas — valor que corresponderia ao montante recebido da própria Reag durante o período em que esteve à frente da gestão da empresa.
De acordo com o executivo, fundos vinculados à Reag teriam sido utilizados em operações voltadas ao desvio de recursos do Banco Master, com apoio de empresas de fachada, laranjas e estruturas offshore. A delação também traria detalhes sobre negociações mantidas diretamente com Vorcaro, nas quais, segundo Mansur, o banqueiro teria pleno conhecimento e participação ativa nos supostos desvios.
Um dos episódios citados envolve o Jaguar Multimarket Fund, fundo registrado nas Ilhas Cayman que recebeu R$ 494 milhões oriundos do Master. Embora o beneficiário oficial do fundo fosse outra pessoa, Mansur afirma que o verdadeiro controlador da estrutura seria o próprio Vorcaro.
Para a PGR, a colaboração pode se tornar uma fonte relevante para identificar novos fundos e empresas utilizados no esquema, além de auxiliar no rastreamento de recursos passíveis de recuperação. Ainda assim, o acordo segue pendente de assinatura formal e precisará ser avaliado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
A delação também cita nomes do meio político, entre eles o senador Jaques Wagner e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto. Ambos negam qualquer irregularidade: Wagner afirma não conhecer Mansur nem ter qualquer relação com a Reag, enquanto Neto sustenta que seus investimentos foram realizados com recursos próprios e dentro da legalidade.

