Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso desde 25 de junho no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal — conhecido como Papudinha —, teria recebido tratamento diferenciado dentro da unidade, segundo denúncia obtida pelo Poder Paraná.
Entre as supostas regalias estaria o acesso à academia do batalhão, espaço originalmente destinado apenas a policiais, além da entrada de alimentos trazidos de fora, incluindo picanha, queijo, presunto, doces, bebidas vegetais, bananas, pão e suplementos.
De acordo com os relatos, Vorcaro teria frequentado a academia três vezes por semana, com autorização concedida em 17 de julho pelo tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes. A denúncia também menciona que alguns policiais o tratariam de forma próxima, chamando-o inclusive de “brother”.
Um dos episódios citados envolve uma sacola do supermercado Verdemar, de Belo Horizonte, que teria chegado à unidade em 13 de julho contendo cerca de 25 produtos destinados ao banqueiro — entre eles picanha, duas caixas de doce de leite, queijo, presunto, leites vegetais, água de coco, bananas, pães e suplementos alimentares.
O ponto controverso é que a própria unidade prisional possui normas específicas sobre quais alimentos podem ser entregues aos detentos. Segundo a reportagem, a regulamentação autoriza apenas itens como biscoitos e doces industrializados, castanhas, torradas, batata palha e farofa — o que levanta questionamentos sobre como os demais produtos teriam sido autorizados a entrar.
Procurado, o advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, afirmou desconhecer qualquer tipo de regalia concedida ao cliente, sustentando que ele segue as mesmas regras aplicadas aos demais presos da unidade. Já a PMDF não confirmou nem negou as informações, limitando-se a declarar que cumpre as determinações da Justiça, sem esclarecer se Vorcaro possui autorização formal para uso da academia ou recebimento dos alimentos citados.

