Face ao crescimento do bloco de oposição no Congresso Nacional, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) delineiam planos para travar eventuais iniciativas de impeachment. Conforme noticiado por O Globo, a estratégia dos magistrados passa por duas vertentes paralelas: aproximação aos congressistas menos conotados com posições radicais e acompanhamento atento das investigações policiais direcionadas a elementos do novo mandato.
O reposicionamento do tribunal ocorre após o ato eleitoral ter expandido significativamente o grupo propenso a julgar elementos da Suprema Corte. Um levantamento do referido jornal revela que 49 senadores estarão alinhados com essa agenda, reunindo 32 novos parlamentares com posições públicas assumidas e 17 senadores em continuidade de mandato. O número aproxima-se da fasquia dos 54 votos exigidos pela lei para determinar a destituição de um juiz.
Com o intuito de travar a escalada do conflito, o STF identificou interlocutores com margem para negociação, entre os quais Reinaldo Azambuja e Eduardo Gomes (ambos do PL). A expectativa interna passa por utilizar estes setores moderados como ponte de diálogo entre as duas instituições.
Outro foco de atenção incide sobre congressistas eleitos com processos pendentes na justiça. Destaca-se a situação do ex-governador Mauro Mendes, alvo de investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Heritage, que apura suspeitas de desvio de verbas superiores a 300 milhões de reais num acordo com a empresa Oi. Mendes nega qualquer irregularidade, afirmando que o processo respeitou a legalidade e protegeu o interesse público. Recorde-se que a fase de investigação não representa qualquer decisão condenatória.
Dado que a Constituição concede em exclusivo ao Senado a competência para julgar elementos do STF por crimes de responsabilidade, a nova conjuntura política ganha um peso reforçado com vista ao ciclo que se inicia em 2027.
Para já, estas articulações limitam-se a dados de bastidor veiculados pela imprensa, não traduzindo qualquer posição ou medida oficial adotada pelo plenário do STF.

