A campanha do presidente Lula estuda apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de investigação sobre uma possível articulação coordenada envolvendo a divulgação de conteúdos críticos ao governo relacionados ao preço dos alimentos.
De acordo com levantamento produzido pela própria campanha, mais de 20 influenciadores teriam publicado materiais com roteiros, imagens e estruturas visuais muito semelhantes entre si. Um dos exemplos citados é o de uma fotografia de um corte de contrafilé — inclusive com o mesmo código de barras visível — que teria aparecido em 33 contas diferentes. Em três delas, a publicação teria ocorrido dentro de um intervalo de pouco mais de seis minutos.
O levantamento também indica que parte dos influenciadores relatou ter recebido, após as publicações, doações de empresários, crescimento expressivo no número de seguidores, benefícios diversos ou algum tipo de reconhecimento público. Como exemplo, é citado o caso de um vereador do PL que teria concedido três moções de congratulações a influenciadores mencionados no material.
A intenção da campanha é apresentar formalmente ao TSE o levantamento completo, com a identificação dos perfis analisados e os padrões de publicação observados. A acusação, neste momento, trata de uma possível divulgação coordenada e inautêntica de conteúdo, hipótese que ainda precisará ser avaliada pela Justiça Eleitoral.
O episódio se insere em um contexto mais amplo de disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro nas redes sociais em torno do tema do preço dos alimentos. Ambos os lados já recorreram à Justiça Eleitoral no decorrer da campanha, trocando acusações sobre o suposto uso de redes coordenadas de conteúdo digital.

